p6p17p326p476 Congresso Internacional da Cannabis - Das Tendências às Intervenções JOVENS ACTORES CONQUISTAM A AUDIÊNCIA NO ÚLTIMO DIA
Centro de Congressos do Estoril
Dias 7 e 8 de Junho Centro de Congressos do Estoril
Dias 7 e 8 de Junho

JOVENS ACTORES CONQUISTAM A AUDIÊNCIA NO ÚLTIMO DIA

O segundo dia do Congresso Internacional da Cannabis – “Das Tendências às Intervenções” -, evento organizado pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) e que decorreu durante os dias 7 e 8 de Junho no Centro de Congressos do Estoril, deu continuidade ao sucesso obtido na véspera, tendo novamente registado muitas intervenções, workshops dos mais variados temas e acções várias, com especial destaque para a apresentação de uma teatralização por parte de estudantes do Porto, que conquistaram a audiência pela sua abordagem ao problema do consumo de drogas.

O dia começou com uma discussão “em mesa redonda” sobre as diferentes perspectivas que rodeiam a cannabis , com o Padre Quintela, Sónia Silvestre e Luís Gamito como oradores e com a moderação de Dulce Salzedas. À semelhança do que aconteceu com o Fórum online na véspera, decorreu em simultâneo uma videoconferência, animada por Manuel Peixoto e Raul Melo, em Lisboa, e Júlio Machado Vaz e Adelino Vale Ferreira, no Porto, e que contabilizou 1057 perguntas, pondo 18 escolas em contacto. De destacar que no total dos dois dias o Fórum online e a videoconferência registaram a participação de 347 alunos, de 18 distritos do País.

Pelo final da manhã teve lugar a apresentação da teatralização “O Concurso A Droga do Ano” por parte dum grupo de alunos do Colégio Nossa Senhora do Rosário, do Porto, coordenados pelo professor Pedro Rosário, bem como comunicações livres. Refira-se que esta dramatização foi muito do agrado da assistência, não só pela descontração e empenho dos estudantes portuenses, mas também, e fundamentalmente, pela perspectiva fora do normal como foram encarados os problemas relacionados com o consumo de estupefacientes, já que o “concurso” em redor do qual a peça girou tem como objectivo escolher o tipo de droga que mais argumentos – ou efeitos – reunia para ser eleita.  

A tarde deste segundo dia foi destinada a vários workshops, reservados a vários temas que relacionam o fenómeno do consumo de estupefacientes e as várias responsabilidades nos contextos escolar, político, laboral, recreativo, do tratamento e da comunicação social. Neste último ponto, a discussão teve como ideia central as influências – positivas e negativas - que os mass media podem desempenhar no modo como a população em geral recebe informação relativa ao consumo de drogas.  

No culminar do evento realizou-se o comentário final, com intervenções do psicólogo Luís Fernandes e Fernando Mendes, Vogal do Conselho de Administração do IDT, seguido de imediato pela sessão de encerramento, protagonizada por Luís Filipe Pereira, Ministro da Saúde, David Justino, Ministro da Educação, e Fernando Negrão, Presidente do Conselho de Administração do IDT.

Luís Fernandes abriu as honras do comentário final tentando explicar a súbita importância atribuída ao consumo da cannabis nos últimos tempos. “A cannabis aparece como um consumo em massa e como droga recreativa, com um poder simbólico muito grande, por ser a droga que se encontra precisamente na fronteira entre o legal e o ilegal. Os especialistas vêem agora o combate ao consumo da cannabis como processo que substitui a já efectuada luta contra o consumo da heroína, que se encontra estabilizado e até em regressão.”   

De seguida, Fernando Mendes, Vogal do Conselho de Administração do IDT, procedeu ao resumo das actividades realizadas durante os dois dias de trabalho, fazendo referência ao sucesso obtido com o Fórum online e a videoconferência. “Tivemos o cuidado de convidar um conjunto de pessoas e identidades que representavam os diferentes pensares em relação a este assunto. Agradeço às unidades de prevenção que foram responsáveis pelo Fórum online e videoconferência, dois aspectos muito importantes neste evento”.

    
Finda a projecção de um filme sobre o consumo de drogas entre os jovens, deu-se início à sessão de encerramento do congresso, com Fernando Negrão, Presidente do Conselho de Administração do IDT, a sublinhar de novo a gravidade do problema que a cannabis constitui nos dias de hoje e a importância que reveste um debate deste tipo: “Podemos chegar a três conclusões gerais. A cannabis é a droga mais consumida, mais consumida entre os jovens e que produz muito sofrimento, o que aumenta a procura no que diz respeito a tratamento. (…) Temos de estar atentos e ser pró-activos na prevenção primária deste problema, estando aptos a dar respostas nas áreas de tratamento e prevenção de danos”.

Seguiu-se a intervenção de David Justino, Ministro da Educação, que não deixou de indicar o longo caminho que ainda há a percorrer para introduzir nas escolas as informações correctas acerca do consumo de drogas, focando a importância da prevenção: “Relativamente às escolas, existe grande preocupação em limitar o consumo destas substâncias. Tenta-se fazer passar a ideia de que não existem diferenças entre drogas duras e drogas leves no que diz respeito aos malefícios à saúde e ao grau de aditividade. (…) Dados publicados sobre consumo e práticas nas escolas permitem ver que há um imenso trabalho a fazer. Não chega atiçarmos fantasmas, temos de ter instrumentos para valorizar a perspectiva preventiva. Estamos a trabalhar junto da rede de escolas no sentido de podermos instituir uma área curricular para capacitar os jovens para os comportamentos de risco, não de uma forma moral mas sim conferindo capacidades para que possam fazer escolhas livres e responsáveis face aos consumos, práticas e condutas, através do conhecimento e debate. Esperamos num prazo relativamente reduzido instituir a tal área curricular visando a prevenção, para que cada escola possa, em complemento da família, munir os jovens com instrumentos, atitudes e valores necessários para enfrentar as situações de risco. Se conseguirmos isto penso que teremos sucesso e será possível daqui a dois anos voltarmos a reunir já com melhores resultados.”

Finalmente, Luís Filipe Pereira, Ministro da Saúde, realçou a importância do evento, o primeiro deste realizado em Portugal, e que se insere numa prática fundamental que é a prevenção da toxicodependência, lembrando também que esta luta não pode ser travada de modo individual: “O IDT tem funcionado em torno de quatro vectores: a prevenção, o tratamento, a redução de danos e a reinserção dos indivíduos. Contudo, considero que a área da prevenção é a mais importante, na qual o IDT tem realizado muito trabalho. Os jovens são aqueles que estão mais expostos ao consumo desta droga. Existem alguns aspectos preocupantes, principalmente a passividade por parte da sociedade civil que vê a cannabis como uma droga menos grave que as chamadas drogas duras. Esta é uma droga que pode servir de porta de entrada para outras e cujas consequências são tão nefastas quanto as causadas por outras drogas. Isto deve levar-nos a preocupar-nos com a prevenção. O importante é alertar, anunciar e discutir estes novos consumos e foi isso que aqui foi feito pelo IDT. No entanto, este combate não pode ser travado de forma singular mas por parte de todos nós. O Estado não pode ser o único actor neste campo de batalha. É preciso conciliar outras vontades e acções que possam prevenir este flagelo, para que os jovens tenham a possibilidade de alertados para os perigos”.
1 data 14-06-2004 16:43:28 143138608 sim sim