Xantinas p5p14p164 Xantinas São um grupo de substâncias que potenciam, em maior ou menor grau, as diferentes acções do sistema nervoso central...
São um grupo de substâncias que potenciam, em maior ou menor grau, as diferentes acções do sistema nervoso central. Os três alcalóides principais são a cafeína, a teofilina e a teobromina que se encontram, respectivamente, no café, nas folhas de chá e no cacau. Encontram-se também noutras bebidas, como nas colas e em muitos medicamentos analgésicos, anti-histamínicos, etc.

A popularidade de que gozam as bebidas que contêm algum tipo de xantina, deve-se à crença popular de que possuíam efeitos estimulantes e que eram inibidoras do sono e da fadiga.

O café é produzido por uma planta do género coffea L., que tem mais de 60 espécies, das quais a mais popular é a coffea arabica L. (constitui 80% da produção mundial). Esta tem desenvolvido diversas mutações e variedades para se adaptar às condições geográficas e ambientais das áreas produtoras. É originária do Iémen, ou talvez da Etiópia, e a sua descoberta deve-se a um pastor que observou que as suas cabras se excitavam e davam saltos depois de comerem o fruto de uma planta coffea. Nos séculos XIV e XV, estendeu-se por todo o mundo islâmico e, pela Europa a partir do século XVI, devido às relações comerciais com o império turco. Por este motivo, a primeira expansão centrou-se nos países do mediterrâneo e nos do centro da Europa que tinham fronteiras com a Turquia, enquanto a Inglaterra, a Rússia, a Turquia e a Europa do norte optavam pelo chá. O seu cultivo nas colónias americanas generalizou a sua utilização e hoje está difundido por todo o mundo.

O chá procede da chamada camellia sinensis ou thea sinensis, uma pequena árvore de folha perene que pertence à família das teáceas; foi cultivado primeiro na China e mais tarde na Índia sob o controlo do império britânico.

O cacau obtém-se das sementes secas do theobroma cacau, das quais se extrai o chocolate.

Apresentação. Vias de administração

Os métodos para a preparação do café são: infusões de grãos previamente tostados e moídos (cafeteira de destilação); cocção dos mesmos (café de saco); ou o método expresso, passando vapor de água à pressão através do café moído para extrair as substâncias solúveis.

Existem também os conhecidos cafés solúveis ou instantâneos; são obtidos pela dessecação dos princípios solúveis e aromáticos que dão sabor à bebida e, em vez de os secar, pode obter-se liofilização, evaporando a água no vácuo a baixas temperaturas (Estébanez et al, 1990).

Obviamente, a ingestão das xantinas fazem-se por via oral.

Aspectos farmacológicos

Depois da ingestão das xantinas, estas distribuem-se por todo o organismo, acumulando-se principalmente no sistema nervoso central, sobre o qual actuam, estimulando-o.

A duração média da cafeína no corpo humano é de 3 a 10 horas e o valor máximo de concentração consegue-se entre os 30 e os 60 minutos após a ingestão.

O seu mecanismo básico de acção consiste em antagonizar os receptores da adenosina provocando nos neurónios, onde estão localizadas estas xantinas, um aumento do AMP cíclico. Se se tomarem três chávenas de café, calcula-se que 50% dos receptores da adenosina estarão ocupados pela xantina.

Efeitos

Efeitos imediatos.
As xantinas, especialmente a cafeína, têm um efeito estimulante no sistema nervoso e nos aparelhos circulatório, digestivo, respiratório e renal.

Produzem uma certa excitação sobre o SNC, que se reflecte principalmente nas funções psíquicas: facilita o trabalho intelectual, produz algum bem-estar, diminuindo a fadiga e melhora as relações interpessoais. Nas pessoas não habituadas pode produzir insónias.

A principal acção sobre o aparelho respiratório é a broncodilatação e sobre o digestivo, a irritação da mucosa gástrica.

Em relação aos rins, as xantinas produzem uma acção diurética e salurética; quer dizer, propiciam a secreção da urina, a eliminação de iões, sódio, cloro e, em menor quantidade, de potássio.

A intoxicação aguda nos indivíduos não habituados provoca os seguintes sintomas: inquietação, nervosismo, excitação, insónia, rubor facial, diureses, alterações digestivas, contracções musculares, logorreia, rapidez no pensamento, taquicardia ou arritmia cardíaca e sensação de infatigabilidade.

Efeitos a longo prazo.
Embora a intoxicação aguda com xantinas seja pouco frequente, a sua ingestão constante, mesmo em quantidades moderadas, pode provocar alterações no SNC como, por exemplo: irritabilidade, inquietação ou insónia.

Mesmo que algumas teses assinalem uma maior incidência do enfarto do miocárdio ou hipertensão nos consumidores habituais de café, não existem dados suficientemente comparados para poder assegurar estes estudos; pode, no entanto, afirmar-se que as xantinas podem ser indutoras de algumas patologias cardiovasculares, como por exemplo as arritmias em pessoas já predispostas. Devido às xantinas provocarem uma maior secreção de ácidos gástricos, os pacientes que sofrem de úlcera devem evitar o consumo destas substâncias. Alguns estudos encontraram uma associação entre o consumo de cafeína e a mastopatia fibroquística. Os dados sobre as malformações perinatais são controversos e é por isso que as mulheres durante a gravidez e o aleitamento devem evitar o seu consumo. Nos pacientes psicóticos podem exacerbar a sintomatologia delirante e alucinatória.

Potencial de dependência.
A respeito dos processos de tolerância e dependência, também não se encontra qualquer estudo que permita inferir que as xantinas geram uma autêntica dependência; os especialistas preferem falar de "um hábito de tomar café" em lugar de uma verdadeira habituação ao mesmo; na maior parte dos casos, a supressão da substância provoca uma pequena síndrome de abstinência, que gera ligeiro mal-estar (fadiga, sonolência, depressão, ansiedade, náuseas, vómitos).
160 data 25-06-2003 22:43:19 111969799 sim sim [Perfis]