Ópio (Opiáceo) p5p14p162 Ópio (Opiáceo) O ópio é o produto natural de um tipo de papoila chamada... O ópio é o produto natural de um tipo de papoila chamada Papaver Somniferum. Produz-se, actualmente, de forma não controlada em algumas zonas do Médio e Extremo Oriente e, muito recentemente, em alguns territórios americanos.

Extrai-se, realizando uma incisão numa cápsula debaixo das pétalas da planta. Estes cortes deixam escapar um alcalóide com aspecto leitoso, que coagula rapidamente e adquire um tom acastanhado em contacto com o ar.

Cada uma das cápsulas contém quantidades baixas de ópio e calcula-se que são necessárias cerca de três mil plantas para obter um quilo e meio desta droga. A extracção legal é praticada de forma mecânica, produzindo a "palha de ópio", que depois é quimicamente processada pelas máquinas que fazem a colheita.

A papaver cresce de forma espontânea em toda a área do Mediterrâneo e Médio Oriente, pelo que não é de admirar que, nas culturas da área da revolução neolítica, e mais tarde no mundo clássico Greco-latino, onde se originou o complexo cultural do Ópio, tenha estado sempre ligada à medicina mais exclusiva e reservada aos mais poderosos. O Ópio é, desde os tempos da Grécia Clássica a Triaca Magna, o medicamento mágico que tudo cura e que alcança o seu maior prestígio nos finais da Idade Média e no Renascimento, pela mão do quase monopólio que detinham os "Senhores" de Veneza. No Oriente, o Ópio foi conhecido a partir do século VII como um produto exótico e mágico que chegava do Ocidente.

Não estão esclarecidas as causas pelas quais a sua utilização no campo da medicina derivou para abusos não terapêuticos, mas este parece ter sido um processo que se iniciou, tanto no Oriente como no Ocidente, a partir dos acontecimentos que deram origem à primeira mundialização nos finais do século XVI, alcançando no mercado recreativo uma notável expansão no século XVIII.

Essa expansão adquiriu características epidémicas na China, país que não tinha experiência histórica em relação ao Ópio, devido a importações em massa, encabeçadas pela Inglaterra que controlava as plantações de Bengala, Portugal e Espanha a partir das suas colónias do Oriente e, em menor medida, da França, Pérsia e Império Turco. A oposição da China à importação do Ópio esteve na origem das guerras do Ópio, que geraram um lucrativo mercado mundial desta substância nos finais do século XIX.

Apresentação. Vias de administração

Da forma acima descrita, obtém-se o ópio puro que, depois de passar por um processo de refinação e transformação, pode ser fumado, comido ou bebido. O procedimento mais comum é fumá-lo.

Coloca-se, por exemplo, um pequeno pedaço de ópio num tubo de papel de estanho, aplicando debaixo dele uma fonte de calor.

As apresentações mais frequentes são em forma de tubos pequenos (semelhantes a um cigarro sem filtro), em forma de pó ou em pequenas bolinhas já preparadas para consumir.

Aspectos farmacológicos

Todos os opiáceos actuam sobre receptores cerebrais específicos. Estes encontram-se localizados no sistema límbico, na massa cinzenta, na espinal medula e em algumas estruturas periféricas. Os principais efeitos farmacológicos do ópio são causados pela morfina, um dos seus principais compostos.

Efeitos

Sobre o SNC: analgesia, sonolência, euforia, sensação de tranquilidade e diminuição do sentimento de desconfiança, embotamento mental, contracção da pupila, náuseas, vómitos, depressão da respiração (causa de morte por overdose ) e desaparecimento do reflexo da tosse.

Outros efeitos: produzem a libertação de histamina (vasodilatação e comichão na pele). A nível endocrinológico: inibição da hormona que liberta a gonadotropina, diminuição dos níveis do factor de libertação da corticotropina (diminuem os níveis de plasma do cortisol testosterona). Na mulher produzem-se ciclos menstruais irregulares. No aparelho digestivo: os movimentos peristálticos tornam-se lentos, favorecendo a prisão de ventre. Na bexiga: o tónus do esfíncter aumenta e os reflexos de micção diminuem, provocando dificuldade de urinar.

Efeitos a longo prazo e potencial de dependência.
Desenvolve tolerância em relação aos efeitos de euforia, depressão respiratória, analgesia, sedação, vómitos e alterações hormonais. Não a desenvolve para a miose nem para a prisão de ventre. Estes efeitos, junto com a diminuição da libido, insónia e aumento da transpiração, são os sintomas dos consumidores crónicos. Existe tolerância cruzada entre todos os agonistas opiáceos, pelo que se utiliza para os tratamentos de desintoxicação e desabituação.

Os opiáceos, devido aos seus potentes efeitos eufóricos e à intensidade da sintomatologia da abstinência, são drogas muito viciantes. Há milhares de pessoas no mundo inteiro que tentam desintoxicar-se destas substâncias e, nos casos mais graves, o método mais efectivo é a utilização de um outro opiáceo, como por exemplo a metadona.

Síndrome de abstinência.
Sintomas: desejo de consumo, inquietação e irritabilidade, hipersensibilidade à dor, náuseas, dores musculares, estado de ânimo disfórico, insónia, ansiedade. Marcas físicas: dilatação das pupilas, transpiração, "pele de galinha", taquicardia, aumento da tensão arterial, bocejos, febre.
140 data 25-06-2003 22:41:55 111969715 sim sim [Perfis] substancias_opio1.jpg