Morfina (Opiáceo) p5p14p161 Morfina (Opiáceo) O principal elemento activo do ópio, a morfina, foi isolado... O principal elemento activo do ópio, a morfina, foi isolado em 1806, em plenas guerras napoleónicas, pelo farmacêutico de Hannover, Adan Serturner. Foi-lhe posto este nome em honra de Morfeo, o deus grego do sono.Tornou-se num dos estupefacientes mais activos que existem e num produto de grande aplicação e utilidade médica, que se foi popularizando durante o século XIX, a tal ponto que, em 1823, já se descreviam alguns casos de problemas relacionados com esta droga.

Além disso, alguns eventos científicos e bélicos generalizaram o seu uso: ex.: o aperfeiçoamento da seringa hipodérmica em 1853, a guerra franco-prussiana (1870-1871) e a Guerra Civil americana (1861-1865). As altas doses administradas aos soldados para fins analgésicos levaram ao aparecimento das primeiras epidemias de morfina, cuja ocorrência permitiu a Lovis Lewin criar, em 1874, o termo "morfismo" e o conceito de dependência em 1879, com a publicação das suas investigações em relação a 110 casos de "toxicodependência".

A dependência da morfina adquiriu proporções de epidemia, sendo especialmente utilizada pelo pessoal de saúde, pessoas do mundo do espectáculo e mulheres da classe média alta, no último terço do século XIX, pelo que se iniciou uma série de medidas de controlo que resultaram na sua efectiva estagnação nas farmácias, na maioria dos países desenvolvidos, no primeiro decénio deste século.

Mais tarde, com a proibição, os controlos tornaram-se mais rígidos, mas enquanto o ópio e a heroína desapareceram do mercado legal, a morfina continuou a ser um fármaco controlado, o que proporcionou, pelo menos até meados dos anos 70, a existência residual de grupos de morfinómanos que obtinham a substância desviando-a da sua utilização terapêutica.

Apresentação. Vias de administração

A substância, apresentada em forma de pó, de líquido ou de barra, é introduzida no organismo por via oral ou injectada; espalha-se pelo sangue e chega rapidamente ao sistema nervoso, com o qual mantém uma especial afinidade.

Aspectos farmacológicos

Todos os opiáceos actuam sobre receptores cerebrais específicos. Estes localizam-se no sistema límbico, na massa cinzenta, na espinal medula e em algumas estruturas periféricas.

Efeitos

Efeitos Imediatos.
Sobre o SNC: analgesia, sonolência, euforia, sensação de tranquilidade e diminuição do sentimento de desconfiança, embotamento mental, contracção da pupila, náuseas, vómitos, depressão da respiração (causa de morte por overdose ) e desaparecimento do reflexo da tosse.

Outros efeitos: produzem a libertação de histamina (vasodilatação e comichão na pele). A nível endocrinológico: inibição da hormona que liberta a gonadotropina, diminuição dos níveis do factor de libertação da corticotropina (diminuem os níveis de plasma do cortisol testosterona). Na mulher produzem-se ciclos menstruais irregulares. No aparelho digestivo: os movimentos peristálticos tornam-se lentos, favorecendo a prisão de ventre. Na bexiga: o tónus do esfíncter aumenta e os reflexos de micção diminuem, provocando dificuldade de urinar.

Efeitos a longo prazo e potencial de dependência.
Desenvolve tolerância em relação aos efeitos de euforia, depressão respiratória, analgesia, sedação, vómitos e alterações hormonais. Não a desenvolve para a miose nem para a prisão de ventre. Estes efeitos, junto com a diminuição da líbido, insónia e aumento da transpiração, são os sintomas dos consumidores crónicos. Existe tolerância cruzada entre todos os agonistas opiáceos, pelo que se utiliza para os tratamentos de desintoxicação e desabituação.

Os opiáceos, devido aos seus potentes efeitos eufóricos e à intensidade da sintomatologia da abstinência, são drogas muito viciantes. Há milhares de pessoas no mundo inteiro que tentam desintoxicar-se destas substâncias e, nos casos mais graves, o método mais efectivo é a utilização de um outro opiáceo, como por exemplo a metadona.

Síndrome de abstinência.
Sintomas: desejo de consumo, inquietação e irritabilidade, hipersensibilidade à dor, náuseas, dores musculares, estado de ânimo disfórico, insónia, ansiedade. Marcas físicas: dilatação das pupilas, transpiração, "pele de galinha", taquicardia, aumento da tensão arterial, bocejos, febre.
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