Inalantes p5p14p157 Inalantes A inalação de diferentes substâncias que fazem parte de rituais sociais ou cerimónias religiosas é uma prática comum... A inalação de diferentes substâncias que fazem parte de rituais sociais ou cerimónias religiosas é uma prática comum que vem da antiguidade, existindo muitos exemplos em diversas civilizações.

As drogas utilizadas com mais frequência por esta via foram a Cannabis, o Ópio, o Tabaco sob a forma de "Nicotina Rústica" e alguns outros alucinogéneos.

Nos finais do século XIX, fabricou-se o óxido nitroso, que se popularizou como substância recreativa devido aos seus efeitos eufóricos. Pouco depois, utilizou-se o éter como tóxico, surgindo as primeiras referências à inalação de gasolina em 1934, de clorofórmio em 1945 e de colas em 1957.

O abuso destas substâncias, tal como o conhecemos na actualidade, surgiu nos anos 50 nos EUA, estendendo-se a partir daí por todo o mundo. Está geralmente associado a grupos sociais marginais, principalmente nos países onde existem grandes camadas sociais em situação de precariedade ou fenómenos como os "meninos da rua".

Apresentação. Vias de administração

A sua administração é feita por inalação; a mais comum consiste em verter o produto num saco de plástico e apertar o orifício do saco à volta da boca e do nariz, para aspirar os vapores que se desprendem. Alguns dissolventes são, por vezes, aspirados pelo nariz, utilizando um trapo embebido ou colocando uma parte da substância num recipiente metálico, sob o qual se aplica uma fonte de calor para aumentar a libertação de vapores.

Aspectos farmacológicos

A sua absorção é rápida dada a grande superfície do epitélio pulmonar e a elevada solubilidade lipídica; isto explicaria em parte a velocidade com que é transportada através das membranas biológicas e seria a chave dos efeitos não específicos e globais que se produzem na actividade do SNC. O seu mecanismo de acção seria o de estimular os receptores GABA ou fluidificar as membranas neuronais, sendo esta a mesma forma de actuação proposta para o álcool.

No entanto, a informação dos aspectos bioquímicos e farmacológicos continua a ser insuficiente.

Efeitos

Caracteriza-se por uma fase inicial de exaltação do humor, euforia, alegria, alucinações ocasionais e transtornos do comportamento (agressividade, hiper-actividade motora, ...). Terminados os efeitos iniciais, aparece uma depressão do sistema nervoso central, sonolência e confusão. Se a inalação for contínua, pode aparecer uma intoxicação grave, semelhante à embriaguez etílica, com cansaço profundo e mesmo perda da consciência. A todos estes sintomas juntam-se as náuseas, vómitos, tosse, lacrimejamento, etc.

Efeitos a longo prazo.
Não existe consenso sobre a capacidade dos inalantes para gerar dependência física; no entanto, existem dados suficientes para afirmar que causam dependência psicológica e tolerância: muitos inaladores crónicos apresentam um alto grau de ansiedade perante a falta da substância e um forte desejo de inalar, necessitando de aumentar a dose para conseguirem os mesmos efeitos que antes conseguiam com quantidades inferiores.

Associam-se aos inalantes efeitos adversos potencialmente graves. O mais grave é a morte, que pode ser causada por depressão respiratória, arritmias cardíacas, asfixia, aspiração do vómito ou acidente. Outros efeitos a longo prazo incluem danos renais ou hepáticos irreversíveis e lesões musculares permanentes. A combinação de dissolventes orgânicos com altas concentrações de cobre, zinco e metais pesados foram relacionadas com o desenvolvimento de atrofias cerebrais, epilepsia do lóbulo temporal, diminuição do nível intelectual e alterações no EEG. Outros efeitos adversos podem ser alterações cardiovasculares e pulmonares (dores no peito e bronco-espasmos), sintomas gastrointestinais (náuseas, vómitos, hemorragias) e outras alterações neurológicas (neurite periférica, dores de cabeça, parestesias, sinais cerebelosos e encefalopatia por chumbo).

Normalmente, o consumo destas substâncias constitui um fenómeno transitório que se abandona na idade adulta. Não obstante, existem pessoas que fazem um uso prolongado das mesmas, correndo assim riscos físicos e psicológicos de enorme gravidade.
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